Arte de Rua, um recorte sobre artistas urbanos

Diz se arte de rua quase todos os tipos de divertimento ou entretenimento oferecido em via publica.  Arte de rua, arte urbana, arte marginal, são intervenções urbanas que vem principalmente como forma de comunicar mensagens da sociedade, mas podem ser também meramente estéticas.
Quando se busca o conceito "arte de rua" é diferente de "artista de rua"
O conceito de arte rua atravez dos mecanismos de busca não mensura a infinidade do que se encontra nas práticas da rua. Arte de rua é associado à street art que é a expressão que se refere ao movimento e na realizacao de manifestações artísticas desenvolvidas no espaço público, a expressao surgiu a partir da decada de 70, nos Eua a Street Art, tradução para arte de rua.
Já o artista de Rua tem um conceito social envolvido, apesar da marginalidade, tem o seu espaço de existência garantido ao longo das História das Sociedades. A arte de Rua tem variadas representações e pode ser expressada de diferentes maneiras, como apresentação de musica, artes circenses; palhaço, contorcionismos, acrobacias, truques com animais, danças, poesia,  estátuas vivas e etc.
 Uma enorme e rica gama de modalidades que se eternizam mas se revigoram e reinventam a cada dia, 
tendo como cenário a rua.  
Aqui uma proximidade sobre o olhar, o sentir e o "que" motivacional assim como as dificuldades:
Através de uma chamada, encontrei os aptos às respostas. 
Pedi que o fizessem de forma mais espontânea, instantânea e livre,
Eis o resultado:

1. Qual a sua arte?






2- Como se estabeleceu o momento de estréia da sua arte na rua?

Aconteceu a partir do momento em que descobri que podia ganhar dinheiro apenas tocando pras pessoas. O maior desafio foi faze-las entender isso como algo normal, e que faz parte da cultura de muitos países. Pouco ainda visto na minha cidade, Manaus.
 Foi incrível, houve uma interação com o público que despertou a vontade de correr atrás dos Meus sonhos, soube que ali era meu lugar.
 foi uma necessidade intrínseca de atuar e fazer um som em ambiente aberto, a estréia foi num verão, numa das praias de Balneário, onde morava
Morava numa casa com vários músicos e dois deles tocavam no metrô e nessa época eu tava precisando de grana. Eles estavam precisando de um percussionista, dai me ofereci e ali começou tudo.

3-Qual e como foi a primeira vez que você fez?



Marcelo: a primeira vez estava tocando com uns amigos em um bar em Manaus, de repente algumas pessoas ao redor nos chamaram pra tocar na mesa deles. E começaram a colocar dinheiro na mesa sem que tivéssemos pedido (mangueio sem chapéu e sem intenção) 
(mangueio: forma interativa de troca de arte por provisão/dinheiro).
Apos esse dia descobri que era possivel transitar e viver disso. Parti pra estrada tempos depois levando meu violão e um chapéu


Marcelly: Eu já frequentava eventos de rua, um dia em um campeonato de skate de uns amigos(ELB),me deram a missão de ajudar a organizar uma batalha de rap e no final pela falta de um mc acabei entrando na batalha e saindo campeã.

Lucas: 3 - foi num hospital, em Itajaí. Aquele dia foi mto bonito...

Brenno: A primeira vez foi bem diferente. Eu estava acostumado com o palco, a relação é mais distante no palco. E foi um impacto, pois na rua a relação é direta! Mudei muito meu ponto de vista minha forma de me relacionar com os espectadores.

4- E o que te motiva a exercê - la?


Marcelo: sem dúvida o trabalho por si só ja é um grande motivo. A reação das pessoas, a liberdade de tocar nesse ir e vir, a necessidade, a possibilidade do sonhar (estar na estrada é o sonho de muita gente que nao tem coragem. Isso nos torna realizadores de sonhos dessa gente. Nos faz especiais.)


Marcelly: Muitas coisas, por eu poder me expressar, passar uma mensagem, ajudar de certa forma as pessoas, mostrar um novo mundo dentro da cultura hiphop que vai além dos padrões estabelecidos pela sociedade.

Lucas: os sorrisos, e a necessidade da expressão

Brenno: Acho que o ato fazer música, tocar, cantar, por si só já é uma grande motivação. Estar em contato direto com a audiência, o feedback instantâneo. Mas não posso negar que o dinheiro, ganhar dinheiro cm sua arte, sem ser subordinado de ninguém, ir contra o senso comum. É um trabalho como qualquer outro, porém com essa vantagem enorme de não ter um horário ou ter que prestar contas a ninguém.

5.Quais são os impactos positivos? / Aonde, ao que ela já te levou?


Marcelo: A musica me levou a muitos caminhos. Alguns tortuosos, pois nem tudo são flores. Dormir em rodoviaria, na praça, não é pra muita gente. Muitos ainda temem o porvir. Isso é um fator que deixa muita gente acomodado. Ja participei de shows, programas de tv, festivais, eventos a partir de pessoas que me viram tocando na rua,nos ônibus. A interação é sempre muito válida.


Marcelly: R:O mais marcante é levar as pessoas a refletir sobre a vida que levam, o mundo em que vivemos. Muitos que se encontravam perdidos sem saber qual é seu sonho ou que não tinha uma perspectiva de vida veem na nossa cultura uma saída.Minha arte me levou a muitas realizações não só como artista mas como pessoa.


Lucas: tem os na minha vida, com tudo q aprendi, o nas pessoas nos hospitais, que apresentaram melhor resposta ao tratamento, as crianças q comiam por estarmos no quarto ou ficavam mais coradas, mais reativas ao quadro clínico, num sentido positivo. Já me levou a lugares muito felizes, com e sem nariz...


Brenno: o impacto positivo é que a rua não tem limites. você faz contato com todo tipo de público, pessoas de variados matizes. Torcar na rua me possibilitou a conhecer pessoas maravilhosas e ir tocar em locais aonde nunca imaginei. até apareci na TV, não que eu ache isso uma grande coisa, na verdade não foi uma boa exposição mas, nos possibilitou, na época, a ir tocar em locais que sem essa exposição, não teriamos conseguido...

6-Quais as maiores dificuldades?


Marcelo: minha dificuldade inicial era conseguir falar com o publico de uma forma que entendessem o nosso propósito. Outras coisas sempre acontecem quando se vive do imediatismo. A maior dificuldade é ainda a falta de compreensão do público. Muitas vezes iamos tocar no ônibus, metrô, feiras e mercados. Nem sempre tivemos autorizações pra tocarmos nesses lugares. Isso ja deu bastante problema. Mas nunca me fez desisti. Ao contrario, faz a gente crescer.

Marcelly: Como mulher não é fácil ocupar um lugar em que a maioria é do sexo oposto, rola um certo preconceito ainda,que não deveria existir, sinto uma desvalorização para as mulheres desse meio. Também tem a falta de apoio para os eventos de rua, como as rodas culturais, fora os problemas com policiais e guardas municipais que muitas vezes não tem uma abordagem tranquila e chegam no intuito de acabar com os eventos.

Lucas: Lidar consigo mesmo. O clown tem sempre um peso muito forte... mas a músiciia ajuda a equilibrar

Brenno: a cultura no brasil é muito "glamourizada"por conta da TV. Muitas pessoas acham que vc sendo músico, ou vc toca em bares, casas noturnas e restaurantes ou vc toca na midia (TV, Rádio, Etc.) mas nem sempre é assim. No meu caso, quando tocava no metrô, sofriamos muitas perseguições dos seguranças e muitas vezes ouvi piadinhas do tipo "se vc fosse músico mesmo não estaria tocando aqui mendigando moedas, estaria numa casa de show ou na tv". Infelizmente, muita gente tem esse tipo de pensamento.
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** Este Blog foi desenvolvido por Camilla Cidade à partir e como trabalho complementar da Disciplina Arte Brasileira e Cultura Contemporânea, ministrado pela Professora Neide Marinho ( 2 semestre de 2017) no curso de Produção Cultural da Universidade Federal Fluminense UFF

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